terça-feira, 8 de setembro de 2009

Yoga e natureza


Dharma, significa ordem cósmica, onde o universo é perfeito, um todo harmônico e orgânico. Viver em harmonia com o Dharma, ordem cósmica, a natureza, traz evolução, direção e equilíbrio. O Yoga desde os seus primórdios surgiu através da observação da natureza entre seus vários cenários, seres e elementos. O Yoga não foi criado por alguém em específico, mas sim por vários observadores, investigadores e experienciadores. Dessas pessoas surgiram vários sábios e os ensinamentos foram passados de guru a discípulo até os dias atuais sofrendo várias adaptações e modificações, mas sempre procurando manter o propósito do Yoga, que é um caminho espiritual, um método de auto-conhecimento, controle da mente e sentidos que tem como objetivo a iluminação. O Yoga não é uma religião, mas sim uma prática diária que nos faz desenvolver melhor a nossa prática religiosa independente qual seja.
O Yoga nos mostra que as energias do universo estão presentes dentro de nós, como se fossemos um microcosmo dentro de um macrocosmo. Para que essas energias fluam em harmonia é necessário que consigamos identificá-las e que saibamos interagir com elas. Essas energias são sutis e se identificam com os elementos da natureza. Dentro de nós temos o sol, a lua, a água, a terra, o ar, o fogo e o espaço. Esses aspectos sutis dos elementos dentro nós mobilizam grande parte da energia do nosso corpo. O reconhecimento dos elementos da natureza dentro de nós se torna essencial para que saibamos manipular harmoniosamente a energia que nos foi dada através da energia suprema que governa todo o universo.
Todos os elementos se complementam. O fogo está contido no ar e o ar está contido no espaço. A água produz fluxo e é gerada pela condensação do fogo. A água gera coesão na terra. A terra contém todos os elementos em si. O nosso corpo é formado pelos cinco elementos em diferentes graus e cada ser humano tem uma estrutura original única. Por termos uma estrutura original única é importante praticarmos o exercício da auto-observação, pois o que é bom para mim pode não ser bom para você. É importante termos cuidado ao generalizar as coisas. Por isso no Yoga devemos respeitar os nossos limites corporais e mentais procurando fazer uma auto-análise. É essencial desenvolvermos a aceitação perante o nosso ser.
Voltando aos elementos sutis dentro de nós, veremos que o nosso corpo é composto de dois hemisférios, o esquerdo que é regido pela energia solar e o direito pela energia lunar. Podemos equilibrá-los através de mudras, pranayamas, mantras e ásanas. O pranayama mais indicado é o das narinas alternadas que desobstrui o fluxo respiratório, aumentando o fluir energético. Essa prática atinge diretamente os hemisférios produzindo equilíbrio físico, mental e espiritual. O elemento ar nesse caso é o que rege esse pranayama e objetiva equilibrar o sol e a lua dentro de nós.
O elemento sutil da água se encontra em nossa mente. A mente é um fluxo desordenado de pensamentos e emoções que pode ser representado por águas revoltas e incessantes. Para equilibrarmos esse fluxo é necessário encontrarmos uma direção e achar uma medida de contenção para que a mente não nos controle. Nós devemos controlar a nossa mente e podemos atingir isso através da pratica da meditação que representa o elemento éter (espaço), pois como mencionado acima, a água produz fluxo e é gerada pela condensação do fogo, o fogo está contido no ar e o ar está contido no espaço. O espaço representa o nada e o todo. O todo está contido no nada e o nada está contido no todo. E a meditação é isso, é um equilíbrio entre o nada e o todo, onde conseguimos direcionar o fluxo dos pensamentos para atingirmos o nada e estarmos conectados com o todo ao mesmo tempo. Existem várias formas de se meditar, mas como mencionado acima não posso generalizar que tal forma é melhor para você, pois somos seres únicos e o que é melhor para mim pode não ser melhor para você. É preciso que você vivencie várias práticas de meditação praticando a auto-observação e sinta qual a que teve melhor efeito ao aquietar sua mente e o seu corpo.
O elemento sutil do fogo se reflete em nosso corpo em vários aspectos relacionados a nossa vitalidade e imunidade. Fogo é luz, então para que aumentemos a nossa “luz” precisamos estar em contato com esse elemento. Esse contato pode ser mantido através da conexão do nosso plexo solar com as energias solares. O resgate do nosso fogo interno pode ser feito através de mantras, ásanas e pranayamas específicos, em especial o Kapalabhathi, técnica de respiração que eleva a energia e esquenta o corpo. O contato com o elemento fogo em si através de fogueiras, velas, é muito benéfico. Procure reverenciá-lo e observá-lo como um elemento sagrado e entre em conexão com a sua magnífica dança.
O elemento sutil da terra em nosso corpo pode ser evidenciado através de ásanas que promovem uma conexão maior com a terra. Esses ásanas aterradores, são os sentados e deitados. Procure experienciar alguns ásanas aterradores buscando a conexão com esse elemento. Esses ásanas podem ser muito benéficos para pessoas que tem o elemento ar muito elevado em sua estrutura corporal e mental. O contato com a terra em si com os pés descalsos é muito curador, principalmente para pessoas que vivem em cidades grandes e não costumam ficar com os pés descalsos. A energia telúrica que contém todos os elementos promove estabilidade. É a energia da Grande Mãe criadora e destruidora.
O Yoga nos conecta com a nossa natureza interna. Ao nos observarmos estaremos mais conscientes de quem somos e dos nossos limites. Para isso devemos estar ligados no aqui e agora e no todo ao nosso redor. A nossa eterna busca é uma aventura de auto-descobrimento, onde todas as respostas estão dentro de nós.

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