quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O útero, esse grande desconhecido



Informação interessante sobre a energia poderosa que nós mulheres, não sabemos que temos em nossos úteros. Trechos traduzidos por mim retirados do livro "EL ASALTO AL HADES" de Casilda Rodrigáñez Bustos.

(...) Além de tecido muscular, o útero conduz o desenvolvimento do desejo sexual da sexualidade feminina, e é por isso que não podemos nos conformar com o que os ginecologistas e tecnologia médica afirmam sobre a maldição divina para dar à luz com dor. Pois aqui há a grande diferença. O útero de uma mulher que foi sexualmente reprimida desde a infância, ele funciona perfeitamente, produzindo prazer e não dor, mas o útero de uma mulher cuja sexualidade foi paralisada desde a infância,funciona de maneira patológica e com dor.

(...) Desde meninas nos dizem que a menstruação dói, mas que o parto dói muito mais. A informação dada é que para dilatar o colo do útero para que se nasça um bebê é preciso contrações muito fortes e não tem como não doer. No entanto, para Frederik Leboyer, as chamadas contrações de dilatação "inevitáveis do parto", são algo totalmente patológico e anormal.

(...) O que faz sofrer a mulher que dá a luz? A mulher sofre devido as contrações... algumas contrações que não acabam e causam danos terríveis..., mas são cólicas! O contrário das contrações adequadas. O que é cólica? Uma contração que não acaba, que se enrosca e se nega a soltar sua presa, e não afrouxa o seu domínio liberando o seu estado contrário em que flui o relaxamento. Em outras palavras o que se tinha tomado como contrações "adequadas" na verdade são contrações patológicas e de qualidade inferior. Que surpresa! Que revelação! Que revolução!

O parto dói porque os músculos uterinos das mulheres que crescem com o útero imobilizado, não desenvolvem a capacidade de distenção e força que deveriam ter. Os músculos que não se usam se atrofiam ou endurecem e vice-versa. Todo mundo sabe que são necessários treinamentos constantes e exercícios para qualquer esportista que deseje manter a sua musculatura em forma. E também sabemos como dói extender um músculo atrofiado e contraturado. Essa é a dor que vulgarmente conhecemos como cólica, como diz Leboyer. As cólicas são as contrações de dilatação que tanto fazem sofrer as mulheres. Algo patológico e anormal. Porque parir, graças a repressão sexual feminina e da anulação de sua sexualidade desde a infância é, na verdade, como cavar uma vala com um braço que tinha sido imobilizado por toda a vida até agora, sem saber que o braço não era o que era, ou seja, a falta de consciência dos músculos do nosso braço, que estão duros e contraídos, na hora de tomar a pá para cavar, faz com que sintamos dor.

(...) Imaginemos como seria recuperar a elasticidade do braço de uma pessoa adulta que fora imobilizado por toda sua vida. Pense nisso e desaparecerá a perplexidade que produzimos sobre o fato de que é possível parir sem dor com um útero que não tenha sido imobilizado que possa distender seus feixes de fibras musculares e abrir suavemente sem problemas, sem contrações patológicas. O mesmo como estendemos nossos braços sem dor.

(...) Sabemos que a oxitocina injetada na veia para induzir um parto é o mesmo hormônio liberado durante a exitação sexual. Isso quer dizer que o hormônio que nosso corpo produz, a Medicina utiliza como oxitócico para provocar as contrações do útero e não encontraram outra coisa para isso e a fabricam em laboratórios químicos. Para muitas pessoas relacionar o desejo sexual com o parto seria pecaminoso e depravado. Por isso que são injetadas grandes doses de repressão, bombardeando nossos úteros com espasmos violentos. Por outro lado, as mulheres que parem em hospitais estão ao contrário de desejo sexual, mortas de medo, amarradas em uma mesa, nas mãos de médicos que não tem intimidade alguma, somente por que são médicos especialistas e possuem autoridade no que estão fazendo.


(...) Mas há mais, a sexóloga e psicanalista Marise Choisy diz que o orgasmo feminino verdadeiro não está localizado no clitóris ou vagina. Origina-se no colo do útero.

Se o orgasmo feminino verdadeiro origina-se no colo do útero, é porque suas fibras musculares, bem apertadas, como dissemos antes, tem que ir afrouxando-se, alongando-se, ai o relaxamento surge, em surto, quando uma mulher vai dar à luz, abrindo a porta ao feto.

Poderíamos dizer que o encerramento da abertura do colo do útero não é outra coisa que simplesmente o processo de excitação sexual e orgasmo em mulheres. Como de fato não é a dor, mas prazer, o que faz fluir a roda da vida.

  
As dores do parto se dão por conta da rigidez muscular e há uma certa ignorância em torno disso. Ignorância e medo se as mulheres desde cedo tivessem compartilhado suas experiências sobre a sexualidade de forma livre e aberta. Ignorância e medo que bloqueiam o desenvolvimento da excitação sexual quando se vai dar à luz, e fazem que seu corpo vá contra e não a favor do processo natural do parto.


Tomemos como exemplo que todas as acreditassem que todo ato sexual fosse uma violação dolorosa e que desacreditassem que fosse uma experiência prazerosa. Também a ignorância e o medo produziriam nas mulheres uma tensão incompatível com o desejo sexual e o sexo seria efetivamente doloroso. O resultado da combinação de ignorância e  medo com a realidade da rigidez do útero, deixa atada a lei de parir com dor, a maldição divina.

(...) Ao adquirir a posição ereta, o plano de inclinação do útero humano, torna-se quase vertical, deixando a saída para baixo sob a força da gravidade. Isso exigiu um aumento na quantidade e qualidade das fibras musculares do colo para fechar hermeticamente e segurar 9 ou 11 quilos de peso contra a força da gravidade e, ao mesmo tempo têm a capacidade de relaxar até à abertura da os famosos 10 cm de diâmetro. Que por sua vez implica um aperfeiçoamento do mecanismo que aciona a abertura, o aumento em terminações nervosas, junção neuromuscular e, finalmente, no aumento da sensibilidade ao grau de excitação sexual e do movimento de distensão e relaxamento muscular.


Por isso, todo orgasmo feminino tem sua origem a partir do colo do útero. Porque o orgasmo foi um invento evolutivo para acionar o dispositivo de abertura do útero. Essa opinião contrasta com Juan Merelo Barberá.




O útero é o centro do esqueleto erógeno da mulher. Filogeneticamente está pronto para trabalhar produzindo prazer e não dor, assim como é filogeneticamente esperado que a relação sexual seja prazerosa. O que não é esperado filogeneticamente são violações, isto é, relações de poder em nossa sociedade que forçam funcionamento do trato reprodutivo das mulheres sem desejo e sem processo de excitação sexual.

Tampouco está previsto filogeneticamente no continuum da espécie humana, que uma mulher se faça adulta sem ter desenvolvido sua sexualidade.

(...) Se pensarmos um pouco, percebemos que o orgasmo é um estado de total relaxamento e abandono da atividade racional do neocórtex para o hipotálamo ou cérebro reptiliano, como também é conhecido, e que depende da regulação hormonal, para que possa realizar seu conteúdo. Isso explica Michel Odent, que depois de uma longa experiência em atender partos, ele observou que os nascimentos são muito mais fáceis quanto menos perturbada é a mulher e quanto mais seja abandonada nesse transe.  

Por outro lado, o parto não é um ato sexual qualquer: é um grande esforço físico, um ato que se despeja toda a energia do corpo de uma mulher, todos os órgãos têm que fazer um esforço especial em uníssono: o coração, pulmões, etc. Portanto, mais do que qualquer outra atividade sexual, o parto e o nascimento necessitam de um local especial e um ambiente psico-afetivo para as mulheres, um grau de privacidade, reclusão, e essa confiança que torna possível que o neocórtex não iniba o hipotálamo. 

Em áreas remotas da Arábia Saudita, uma mulher em trabalho de parto é cercada por mulheres dançando a dança do ventre, hipnotizando-a com seus movimentos rítmicos ondulantes que permitem que seu corpo também se mova a favor do corpo e não contra. 

Quando uma mulher fica sexualmente excitada, o útero começa a bater como um coração, mas um pouco mais lentamente, como uma ameba que se contrai e se expande. 

A semelhança entre o útero e coração também estabelece Leboyer, como ambos os órgãos são feitos de tecido muscular, um vibra de forma contínua, o outro com a excitação sexual, ambos têm ritmo, pulso, e isso determina a eficácia de sua fisiologia, e ambos têm um inimigo, a rigidez e espasmos musculares ou cãibras. Quando uma mulhere recupera a consciência e sensibilidade do útero, podemos ver e sentir o seu batimento cardíaco. A cada batida do útero, ele se expande e desce como um movimento amebóide, até que seja mesmo visível exteriormente um estado de forte excitação. 

Esta batida do útero são os movimentos rítmicos do tecido muscular impulsionados pela emoção erótica e que desde a nossa perspectiva patriarcal foi eliminado o desejo da função reprodutora, e tornaram-se "contrações". A emoção erótica torna o útero suavemente latejante, tão agradável e mais eficaz do que a oxitocina química injetada na veia. 

Deixando-nos levar pela emoção erótica, as mulheres podem, assim como outras fêmeas de mamíferos, "empurrar" os músculos do útero, no momento da diástole do seu pulsar, ampliando sua onda de expansiva, movendo-nos a favor do corpo e do nascimento em lugar de movermos contra.

Quando a pulsação do útero torna-se em violentos espasmos, não somos só nós que sofremos, mas também o bebê. Assim, Reich disse que os úteros espásmicos, explicando que são a maioria durante séculos, são aqueles que produzem partos traumáticos.

(...) Em suma, o nascimento é um ato sexual realizado com o máximo de prazer para a gratificação de criaturas humanas, se a sexualidade da mulher que pare não estiver destruída.

O útero é amplamente desconhecido hoje.


Recuperar a sensibilidade do útero é possível. Quando uma menina atinge a adolescência e tem um útero tão rígido e contraído, até uma mínima abertura do cólo do útero para produzir a menstruação pode doer muito. Mas sabemos que jovens que tinham regras muito dolorosas, deixaram de sentir dor depois que tomaram consciência de seu útero, visualizando-o, sentindo-o e relaxando-o. Ao tomar consciência do seu útero, vizualizar-lo, senti-lo e relaxar-lo você poderá adquirir resultados muito positivos no fluir do seu corpo.

Para recuperar a sensibilidade uterina a primeira coisa a fazer é explicar para nossas filhas desde pequenas que elas tem um útero, o que ele faz e como ele funciona. Explique que, quando elas de enchem de emoção e amor seus úteros palpitam de prazer. Temos que recuperar com elas as verdadeiras danças do ventre, para que quando cheguem a adolescência que não tenham regras doloridas e que apenas sintam esse estado de bem estar.

Temos que recuperar a transmissão via oral da verdadeira sabedoria, de uma sabedoria feita de experiência, cumplicidade e empatia viceral, ou seja, uma sabedoria gaiática, que se comunica na simplicidade, de forma natural, a margem das relações de autoridade, que flui com a sinfonia da vida, que se derrama com o desejo, que sabe sem saber que sabe
praticamente tudo sobre a condição feminina oculta em Hades, e reconhece o que é bom e o que é mal para a vida humana.

As mulheres tem muitas coisas a contar. De mulher à mulher, de mulher à menina, de mãe à filha, de ventre à ventre.

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